Antonio Francisco
"As palavras voam, os escritos permanecem"
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
O Filho Pródigo
Postado por
Antonio Francisco

A parábola do filho pródigo é bem conhecida (Lc 15.11-32), e pela primeira vez me identifico com ela. Vejo no texto o que não via antes, mesmo tendo pregado seguidamente sobre o mesmo. A parábola revela vários aspectos de nossa vida, sobretudo, mostra o amor do Pai celeste pelo filho que se foi, mas que não deixou de ser, e também amor pelo filho que ficou, e nunca aprendeu a ser o que devia ser.
Eu sou o filho pródigo quando vejo que minha intimidade com o pai é tão pequena; sou o filho pródigo, quando tenho pressa em sair da casa do pai. Cansado dessa casa quero algo diferente. Pouco posso levar e pouco fica. Sair parece ser a única maneira de entrar de vez onde nunca entrei e de onde nunca deveria sair. A vida só é cristã, se tiver entrada e saída (Jo 10.9). Quero sair para entrar.
Sou o filho pródigo, quando a sensação de ir para longe me faz bem. Estou procurando um lar definitivo que ainda não encontrei, mesmo estando na casa do Pai. Depois de vinte anos no mesmo lugar, é impossível continuar como antes. Eu tenho medos, preciso ser amado e valorizado. Quero ir para longe da casa do pai em busca disso. Sou um solitário na casa do Pai, pois tenho pouco em comum com os demais. Preciso olhar de longe o que não vejo de perto? E quando voltar de longe, o que verei? O que quero, ou o que é? Verei.
Eu sou o filho pródigo quando caiu em si em meio aos porcos e reconheceu que era filho. Mas ao mesmo tempo me vejo querendo voltar para casa como servo para compensar com serviço minha rebeldia. Sou como o filho pródigo, que teme voltar para casa e encontrar festa e rejeição. Mas preciso me tornar como criança (Mt 18.3) e aceitar o amor do Pai que não quer explicações, quer a mim.
O que escrevi acima expressa meus sentimentos em relação ao pastorado de vinte anos. Estava em crise, não vocacional, mas relacional. Isso aconteceu há dois anos e vejo hoje com mais clareza o que estava por trás de tudo aquilo. Na verdade, parte do meu problema foi confundir a gaiola da religião com a casa do Pai que não é um sistema nem um templo (prédio), mas uma família de fé, o que nunca tive naquele período.
Graças a Deus que a casa do Pai não depende do desejo dos irmãos que nunca saem da casa, mas que nunca aprendem a ser filhos. A diferença é feita pelo amor do Pai que vai ao encontro do filho pródigo que vem ainda longe; pois, dependendo dos irmãos que ficaram o pródigo teria morrido longe de casa, ou seja, da instituição.
Muitas vezes fiquei triste com a atitude dos irmãos, pela recepção fria e pelo modo como me trataram. Mas, hoje louvo ao meu Pai porque me fez entender mais que nunca antes, que a casa do Pai não tem endereço; ela é o ambiente da vivência com o Pai e com todos aqueles que são, não apenas que estão na casa da religião.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Sou crente, não sou evangélico
Postado por
Antonio Francisco

Palavras são palavras, elas não têm vida em si mesmas, senão a vida que lhes damos, ou seja, o significado que lhes emprestamos. As mesmas palavras podem ter sentidos diferentes conforme a época, o local ou a cultura.
As palavras se desgastam ao longo do tempo; muitas vezes não dizem o que queremos ou deixam de significar o que diziam antes. Quero com isso considerar duas palavras: crente e evangélico.
Não quero polemizar, mas quero esclarecer e influenciar com o Evangelho de Jesus Cristo. A palavra “evangélico” não aparece na Bíblia. Com isso não estou dizendo que ela não tem procedência. Os seguidores de Jesus são chamados cristãos, crentes, santos, e discípulos.
Então, o que é ser evangélico? Subtende-se que um evangélico é alguém que crê no Evangelho e que crê na salvação em Jesus, conforme a graça revelada em Cristo. Neste sentido eu sou evangélico, os discípulos eram evangélicos, os primeiros cristãos eram evangélicos e, existem muitos evangélicos assim em nossos dias. Mas, não é esse o sentido de evangélico conforme conhecemos hoje.
O “evangélico” de hoje em dia é uma pessoa indefinível. Tem de A a Z para todos os gostos, com todas as variações e contradições imagináveis. O “evangélico” entre aspas diz que crê em Jesus mas não pode nem imaginar chegar ao céu sem a mediação da “Igreja Evangélica”. Esse pessoal se denomina povo de Deus. Quem pertence a uma “igreja evangélica” é de Deus, quem está fora, é do mundo, do diabo, está perdido, vai para o inferno. É com essas categorias que os “evangélicos” pensam.
Se pertencer a uma “igreja evangélica” fosse o mesmo que crê e andar conforme o Evangelho de Jesus, tudo bem. Mas, não é assim que funciona. A questão passa pela institucionalização da fé, as tradições denominacionais, as doutrinas dos homens, os regimentos internos, e os estatutos reguladores da conduta de seus membros. Entre eles não basta crê para ser membro da igreja, é preciso andar conforme a cartilha deles.
Sou crente, não sou “evangélico”. O Novo Testamento usa várias vezes a palavra crente para mencionar aqueles que aceitam o Evangelho e passam a viver com a liberdade adquirida por Cristo na cruz; vivem em comunhão com outros crentes, mas não se enclausuram em sistemas religiosos regidos por regras fúteis que nada oferecem.
Veja algumas referências bíblicas acerca dos crentes. (Versão Almeida Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica do Brasil):
“E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar” (Mc 9.42).
“E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente” (Jo 20.27).
“E crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor” (At 5.14).
“Chegou também a Derbe e a Listra. Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego” (At 16.1).
“Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos” (1Co 7.14).
“Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?” (2Co 6.15).
“De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão” (Gl 3.9).
“Se alguma crente tem viúvas em sua família, socorra-as, e não fique sobrecarregada a igreja, para que esta possa socorrer as que são verdadeiramente viúvas” (1Tm 5.16).
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Hipertensão Arterial
Postado por
Antonio Francisco

Hoje ouvi do médico: “Você é hipertenso”. Não gostei nada de ouvir isso, que tenho a chamada “pressão alta”. Por muito tempo eu ouvi: “Está normal sua pressão”. Agora, pertenço à comunidade dos que têm Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). O dia não foi dos melhores, pois fiquei pensando muitas coisas, muitas delas não positivas. Mas, a vida continua. Acredito que a minha causa seja hereditária, sedentária, e um pouco de estresse.
Beirando a casa dos cinquenta anos, talvez seja esse um dos efeitos da idade, ainda que a hipertensão também possa ocorrer na juventude. De qualquer forma, isso me motiva a cuidar mais da qualidade de vida em todos os aspectos, como, saúde, família, uso do tempo, entre outros valores. Afinal de contas, a vida é feita desses detalhes.
Igreja
Postado por
Antonio Francisco
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O teu Criador é o teu marido
Postado por
Antonio Francisco
“Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra” (Is 54.5). Esta frase prendeu minha atenção nesta tarde: “o teu Criador é o teu marido”. Deus comparou-se várias vezes com um marido, sendo Israel a esposa. No Novo Testamento Jesus é o noivo e a igreja a noiva. Ele fez isso para falar de seu amor, fidelidade, e cuidado pela nação israelita. Israel foi ao cativeiro por infidelidade ao seu Deus. Isso aconteceu várias vezes. Mas, Deus se manteve fiel ao seu povo e nunca o abandonou. Pelo contrário, ele disse: “Canta alegremente, ó estéril, que não deste à luz; exulta com alegre canto e exclama, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária do que os filhos da casada, diz o Senhor” (Is 54.1). Você já imaginou ter Deus como seu marido, seja você mulher ou homem?
Deus mostra seu amor por Israel como um marido que escolhe uma mulher estéril e lhe promete muitos filhos, lhe enchendo de alegria e acabando com a sua solidão. Ele tira o seu medo e a livra da vergonha. O passado humilhante seria esquecido, tamanha a felicidade obtida do marido gracioso.
Esse é o nível de conjugalidade que Deus quer ter com cada um de nós. Ele quer ser o seu marido; seja você homem ou mulher. Essa é uma relação essencial em nossa vida. Ter um marido é importante, mas não é essencial na vida; ter uma esposa é importante, mas não é essencial; ter filhos é maravilhoso, mas não é essencial. Mas, Deus é essencial na vida de cada ser humano. Quando aprendemos a diferença entre o que é essencial e o que é secundário, vivemos bem melhor.
O problema nosso de cada dia é a inversão de valores. Priorizamos o que não é essencial, e minimizamos o essencial. A vida não é linear como imaginamos. A linearidade pode ser vista no plantio e na colheita, pois o que semeamos colhemos; na física isso funciona com a lei da gravidade. Mas, não é assim que funciona a relação com Deus, a não ser quando ele se torna essencial em nossa vida. Se nosso objetivo é alcançar as bênçãos de Deus por fazer tudo correto, vamos nos frustrar, pois nada garante que tudo vai sair bem, mesmo vivendo moralmente bem. Porém, se nosso objetivo é o próprio Deus, não importa o que aconteça, bem ou mal, ele sempre será o centro, e tudo nos levará a ele. Em outras palavras, casemos com Deus, não com as coisas de Deus. Nenhum casamento interesseiro tem vida longa.
Quando Jesus estava se despedindo de seus discípulos pouco antes de ser preso e crucificado, ele disse: “Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só; contudo, não estou só, porque o Pai está comigo” (Jo 16.32). Quem é casado com Deus nunca está só; quem não tem Deus como seu marido, mesmo casado vive uma solidão crônica.
Portanto, nossa essencialidade não está no marido, na esposa, nos filhos, no dinheiro, na saúde, na família, ou em qualquer outra menção. Nossa essencialidade está em Deus. Jesus veio ao mundo para nos reconciliar com o Deus Redentor, realizando assim uma conjugalidade de eterna felicidade.
Página principal - Voltar para Artigos.
Página principal - Voltar para Artigos.
sábado, 23 de julho de 2011
Vivendo com leveza
Postado por
Antonio Francisco
Hoje saí da cama às 09h00 para atender um telefonema. Depois fui conversar com minha esposa e lembrei-me da época em que fazia seminário de teologia. O reitor dizia que pastor deve levantar cedo, vestir roupa social e viver em casa como se estivesse no emprego. Acho que isso me veio à mente devido o horário que levantei. O conselho do reitor não faz parte de minha vida. Isso não quer dizer que levanto sempre às 09:00h.; às vezes levanto também às 10:00h. (rsrsrs). Hoje vejo naquela palavra a idéia do profissionalismo no ministério.
Tenho horário, tenho compromissos, gosto de pontualidade, mas cada vez mais deixo para trás o viver programado, preso a agenda. Hoje em dia meu estilo de vida não é programado, com poucas exceções. Tenho mudado minha tendência natural de ser metódico para ser mais informal.
Quando fazia parte da igreja evangélica os donos de igrejas nunca simpatizaram comigo porque não conseguiam me manipular para satisfazer seus intentos. Os “poderosos” gostam de lidar com gente boba, bajuladora. Nunca foi o meu caso. Minha consciência é inegociável. Assim procuro viver, com uma boa consciência diante de Deus e dos homens.
Não vivo alienado nem ignoro o contexto em que vivo. Jesus mesmo disse: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", mas quem me julga é o Senhor. Sei o que faço para Deus e para as pessoas. Mantenho minha obediência à vocação celestial e não estou preocupado com opiniões sobre meu estilo de vida. Tenho aprendido a resgatar meu tempo perdido, se é que há tempo perdido. Mas a Bíblia diz que devemos remir o tempo porque o dias são maus. Deus tem medado graça para perceber isso. Se antes não me deixava manipular por ninguém, hoje, bem mais vivo a liberdade que conheci em Jesus seguindo a vida com consciência boa.
domingo, 10 de julho de 2011
Recomeçando na cruz
Postado por
Antonio Francisco
Ontem completei 33 anos de vida cristã. Dou graças a Deus por essa vida nova que nunca envelhece, pois continuo com aquela alegria e confiança inicial. Não posso imaginar onde estaria hoje sem Jesus em minha vida. Quero continuar andando em novidade de vida, crescendo cada dia na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pois esse é um processo contínuo rumo a maturidade. Esse é um tempo para considerar o meu passado, avaliar o meu presente, e olhar para o futuro com a esperança de dias melhores. Tenho dito tantas vezes que um de meus princípios de vida é viver um dia de cada vez, e é isso que quero continuar fazendo, esquecendo-me dos dias anteriores e avançando sempre para agradar ao Senhor com uma vida grata e obediente. Mas, isso passa por um dia de cada vez. Não posso mais viver o dia de ontem e o amanhã não existe ainda para mim.
Esse é um tempo de recomeço em minha vida. Esse recomeço tem que ser a partir da cruz, como quando comecei há três décadas. As palavras de Jesus que me impactaram quando lia a Bíblia em meu quintal no dia seguinte à minha conversão precisam ser renovadas em mim: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10.37-39).
Oro pedindo ao Senhor Jesus que me ajude a viver conforme a confissão do apóstolo Paulo: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.19-20). Preciso viver como alguém que crucificou o egocentrismo; logo, a vida que eu vivo é a de Cristo em mim. Quero viver pela fé em Jesus, descansado em seu amor, confiado em sua proteção e direção.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Antonio Francisco
Postado por
Antonio Francisco
Antonio Francisco teve uma criação simples, carênte de afeto num ambiente discriminador, possibilitando-lhe um futuro incerto. Teve uma adolescência melancólica, mas, desde cedo se mostrou estudioso. Quando ainda menino foi atraído por um quadro numa livraria da cidade com os seguintes dizeres: “Quem não lê, pouco sabe, pouco entende, pouco vê, pouco fala”.
Depois da morte de seu avô que o criou, foi estudar na cidade, morando na casa de uma tia. Sempre foi um sonhador, alegrando-se com as possibilidades imaginadas. Continua sonhando, acreditando sempre que o melhor sempre está por vir, mas sem deixar de ser grato pelo presente. Um de seus princípios de vida é viver um dia de cada vez. Ele sabe que Deus faz tudo do nada e mesmo que lhe ofereçamos a catástrofe, já é uma oferta abundante para que ele faça tudo começar de novo ainda bem melhor. Em Cristo tudo se faz novo.
Na escola era atraído pelas figuras religiosas que via nos livros de história; sua percepção mística foi sentida desde bem cedo. Imagens como a primeira missa rezada no Brasil, padre Anchieta e tudo o que era religioso chamava sua atenção. Foi nesse tempo que se despertou para a vida espiritual. Bem antes disso, participou de muitos terços rezados por sua mãe em casa com os familiares e vizinhos; decorou muitas rezas sendo capaz de recitá-las facilmente. Quando menino, vibrava com as festas religiosas, quando um padre vinha para oficiar as celebrações, mesmo não entendendo nada do que acontecia ao redor.
Foi a partir de uma tarefa escolar que teve seu primeiro contato com a Bíblia. Com essa tarefa leu uma parábola de Jesus numa missa na igreja principal da cidade. Depois disso a sua atração por coisas religiosas se aguçou, até que começou a frequentar uma igreja evangélica próxima de sua casa juntamente com uma prima. Sua primeira Bíblia foi adquirida de um modo quase imoral. Pediu dinheiro emprestado em nome de sua avó para comprar a Bíblia. Isso aconteceu um dia antes de sua conversão.
Em 1978 aconteceu o fato que mudou sua vida. Depois de alguns cultos na igreja, certo domingo aconteceu o melhor, aceitou o apelo do pastor no final de uma mensagem da Bíblia e entregou sua vida a Jesus como seu Senhor e Salvador. Depois disso, tudo mudou. Seu amor pela Bíblia nasceu de um modo revolucionário. Lia a Bíblia com muita dedicação e fez isso ao longo de anos, e assim continua. Conheceu Rosângela sua primeira namorada com quem se casou e trabalhou dedicadamente na igreja liderando jovens, ensinando na Escola Bíblica Dominical, pregando em sítios, fazendas, praças, presídios e casas.
Em 1982 se casou, e uma semana depois mudou-se para o centro-oeste do Brasil juntamente com a esposa para estudarem teologia no seminário da denominação. Não tinha nenhuma estrutura econômica que lhe garantisse estabilidade. Com ele, quase foi literal o que diz uma música do Luiz Gonzaga, “a mala era um saco e o cadeado era um nó”. Mas nada disso tirou a paz e a convicção do seu chamado ministerial. As palavras do apóstolo Paulo ao rei Agripa podem ser suas: “Não fui desobediente à visão celestial” (At 26.19). Depois disso, todos os outros sonhos que ele tinha se dissiparam.
Antonio Francisco teve três rápidas experiências pastorais antes de assumir o pastorado da Igreja Cristã Evangélica Reencontro em Cuiabá, onde a pastoreou por vinte e um anos. Sua convicção em liderar fundamentado nos ensinamentos bíblicos tem lhe custado várias situações difíceis, inclusive a saída do então pastorado; mas nunca perdeu o ânimo, olhando firmemente para Jesus, Autor e Consumador da fé (Hb 12.2). A religiosidade não suporta a vivência do evangelho. Não foi sem razão que Jesus disse: "Vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus (Jo 16.2).
Antonio Francisco tem aprofundado sua consciência no Evangelho de Cristo. Como resultado disso deixou o pastorado da igreja mencionada acima e pediu desligamento da denominação a que pertenceu por trinta e dois anos. Ele rompeu com a igreja evangélica como instituição, entendendo que ser evangélico hoje em dia é fazer parte de uma religião, ora legalista, ora farisaica, ora moralista, o que não lhe interessa como nunca lhe interessou; mas a compreensão que tem recebido da vida com Jesus o levou a decidir sair desse meio.
Em novembro de 2010 fundou a Comunidade do Caminho, não como mais uma instituição religiosa evangélica, mas como um movimento aberto a todos que queiram caminhar com Jesus segundo o seu Evangelho. Jesus é a porta de nossa comunidade, onde você pode entrar para uma vida livre; você pode entrar e sair, com a certeza de encontrar o que sua alma mais deseja – vida. Jesus é o verdadeiro caminho de nossa vida (Jo 10.9; 14.6).
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Milagres acontecem
Postado por
Antonio Francisco
Jesus ensinava ao povo na sinagoga de tal maneira que as pessoas ficavam maravilhadas e perguntavam: “Donde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos?”. Todos conheciam sua família simples, por isso, ficavam chocadas com o seu o ensino e modo de ser. Jesus disse que um profeta não tem honra, senão na sua terra e na sua casa. “E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mt 13.53-58). Familiaridade pode cegar.
Semana passada enquanto jantava quebrei um dente. No dia seguinte terminei meu tempo devocional orando por um milagre. Pedi a Deus que me abençoasse com um milagre, dando-me condições para um tratamento dentário. Um minuto depois recebi o telefonema de uma amiga me oferecendo uma oferta. Recebi esse contato como um sinal da resposta de Deus. Depois compartilhei minha experiência com essa amiga e ela me ofereceu um tratamento dentário.
Quando recebi essa boa notícia chorei bastante, pois não tinha a mínima condição de pagar esse tratamento. Minha mente se encheu de palavras bíblicas. Deus diz: “E será que, antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei” (Is 65.24). Essas palavras se cumpriram em mim esses dias.
terça-feira, 31 de maio de 2011
A Bênção do Despejo
Postado por
Antonio Francisco
Um dos relatos mais bonitos na Bíblia é a história de José, filho de Jacó, conhecido como José do Egito. Ele era o filho caçula, o mais querido de seu pai, e por isso, odiado por seus irmãos que tentaram matá-lo, porém, acabaram vendendo-o como escravo para comerciantes midianitas.
No Egito, ele foi vendido para Potifar, oficial de Faraó. Apesar de todos esses acontecimentos desagradáveis, a Bíblia diz que “o Senhor era com José”. Vendo a bênção de Deus sobre José, Potifar o pôs como mordomo de sua casa, tendo assim sua total confiança. A mulher de Potifar o seduziu sexualmente, mas ele rejeitou sua proposta. Ele foi preso por isso, mas, “o Senhor era com ele”. Depois da prisão ele se tornou o ministro da economia do Egito (a segunda pessoa do rei). Levou prosperidade ao Egito, perdoou seus irmãos e sustentou sua família numa época difícil de sobrevivência na terra de seu pai.
No Egito, ele foi vendido para Potifar, oficial de Faraó. Apesar de todos esses acontecimentos desagradáveis, a Bíblia diz que “o Senhor era com José”. Vendo a bênção de Deus sobre José, Potifar o pôs como mordomo de sua casa, tendo assim sua total confiança. A mulher de Potifar o seduziu sexualmente, mas ele rejeitou sua proposta. Ele foi preso por isso, mas, “o Senhor era com ele”. Depois da prisão ele se tornou o ministro da economia do Egito (a segunda pessoa do rei). Levou prosperidade ao Egito, perdoou seus irmãos e sustentou sua família numa época difícil de sobrevivência na terra de seu pai.
Pessoas de bem fariam o que pudessem para livrar José de tudo o que ele passou. Várias coisas poderiam ter acontecido para que ele escapasse de seus irmãos e não fosse levado como escravo para o Egito, ser acusado de tentar abusar sexualmente da mulher de seu patrão, e ser preso. Mas, nada, natural ou extraordinariamente aconteceu para preservar José de todos os males que lhe aconteceram. Contudo, Deus transformou o mal em bem. Isso me consola e me dá confiança, saber que Deus me espera em cada esquina.
Hoje, desejei escrever sobre o que me ocorreu há oito meses, quando fui despejado do pastorado da igreja que pastoreei por vinte e um anos. Naqueles dias fui tratado como um estorvo, um obstáculo para aquelas pessoas. Convidei a liderança para uma reunião de avaliação pastoral, e dias depois fui comunicado que deveria me retirar sem nenhuma conversa prévia ou acordo entre as partes. Uma decisão unilateral sem nenhum fundamento estatutário ou cristão.
Tudo aconteceu a partir de minha percepção quanto a indiferença crescente e a oposição explícita ao meu trabalho pastoral por parte da igreja, principalmente da liderança. Tudo o que eu fazia era suportado, mas não abraçado, ou apoiado pela igreja. Aliás, esse foi sempre o perfil da igreja – indiferença e ingratidão. Hoje vejo isso com uma nitidez que não via enquanto estava lá. Trabalhei todos aqueles anos com amor, zelo e dedicação. Desgastei-me para fazer daquela igreja uma comunidade de pessoas fundamentadas nos valores bíblicos, mas pouco consegui.
Mas, na manhã do dia nove de setembro de 2010, entendi que as coisas deveriam ser tratadas com mais clareza. Sempre fui verdadeiro no que faço e nunca aceitei viver de aparências. Aquele convívio frio, indiferente, hipócrita e de ódio camuflado, já me era insuportável. Chamei toda a liderança para conversar. Abri a reunião dizendo: “Dependendo de nossa conversa aqui hoje, continuarei ou deixarei o pastorado da igreja”. Em seguida pedi o parecer de cada um à seguinte pergunta: “O que você acha da minha continuidade na igreja?”
A resposta de cada líder jamais me daria justa causa para sair do pastorado. A vice-presidente não foi objetiva, mas deixou claro sua insatisfação comigo; o tesoureiro tomou as dores da esposa que se opunha a mim e disse que eu deveria sair porque sua filha não queria mais vir aos cultos; o diácono queria que eu liderasse a igreja como ele fazia no trabalho dele; o presbítero queria saber se eu tinha algum plano novo de trabalho para justificar minha continuidade; a esposa do presbítero estava ofendida com minhas mensagens, por isso, achava que eu deveria sair; duas outras pessoas foram favoráveis a mim; minha família que estava presente preferiu não falar, obviamente estavam do meu lado.
Depois de ouvir todos, comuniquei em seguida que deixaria o pastorado da igreja. Falei que ficaria até o final do ano, mais três meses, para que eles procurassem outro pastor. Mas, dei liberdade para tomarem outras providências, se quisessem. No culto da noite daquele mesmo domingo comuniquei para toda a igreja minha decisão de deixar o pastorado. A reação foi de indiferença como sempre. Naquela mesma semana a liderança se reuniu sem me comunicar, e decidiu pela minha saída imediata. No sábado daquela mesma semana a vice-presidente da igreja me comunicou o seguinte: “Amanhã você agradece a igreja e não volta mais.”
A decisão da liderança foi arbitrária. Ela não tinha poderes para fazer o que fez. Sei que a decisão pela minha saída urgente partiu da tal vice-presidente. Não fui consultado em momento algum, apenas recebi o ultimato para me retirar do pastorado da igreja em menos de uma semana após comunicar minha decisão de sair, mesmo tendo mostrado disposição para ficar mais três meses. A liderança devia ter me consultado, até porque o presidente da região estava presente na reunião que decidiu pela minha saída. A liderança não tinha poderes para decidir o que decidiu. No mínimo deveria ter convocado uma assembléia extraordinária para ouvir e decidir com a igreja.
Aprendi que você não deve dar poder para certas pessoas, pois elas podem usá-lo contra você mesmo. Pena que a gente só descobre isso depois que acontece. Todos nós estamos sujeitos a decepções com pessoas que eram da nossa confiança.
Eu poderia ter feito diferente do que fiz. Podia ter continuado no pastoreio até dezembro, ter convocado uma assembléia para ouvir a igreja sobre minha continuidade, podia ter trocado os membros da liderança (o estatuto me dava esse direito). Havia outras opções, mas, apenas atendi a decisão da Mesa Executiva, ou seja, da vice-presidente em nome da liderança. Deixei de participar dos cultos da igreja uma semana depois da reunião com os líderes. Eles não me suportavam, queriam apenas uma oportunidade para expressar isso. Porém, antes de sair, convoquei uma assembléia extraordinária para o dia 31 de outubro onde oficialmente entreguei a igreja.
Devo dizer que a igreja continuou pagando o meu salário até dezembro. A liderança preferiu me pagar para que eu ficasse longe da igreja. Naqueles três meses não recebi visitas, telefonemas, enfim, nenhum contato pessoal. Simplesmente me abandonaram. Foi uma grande decepção. Até hoje não houve da parte deles nenhuma manifestação cristã comigo condizente com os acontecimentos. Foi aí que vi a pequenez e a pobreza de espírito dessa gente. No acerto final com o tesoureiro lembrei-me de um salário que me fora passado por engano dois anos atrás. Já havia repassado parte da devolução, mas ao ser lembrado, o tesoureiro não pensou duas vezes para abater esse dinheiro, mesmo sabendo que a partir de janeiro eu não teria nenhum apoio financeiro. Mais uma vez vi que no meio evangélico o espírito justiceiro e o moralismo desconhecem a bondade e a misericórdia, salvo, raras exceções. A igreja simplesmente me ignorou.
Naqueles dias falaram que eu estava louco, disseram que eu perdi o rumo, perguntavam uns aos outros se o meu pastorado era vitalício. Isso para não falar da imagem que criavam de mim para os visitantes. Pessoas chegavam à igreja e naturalmente conversávamos sem dificuldades. Pouco tempo depois tinha gente com medo de mim. A igreja, principalmente a liderança, não suportava mais minha veemência no modo de conduzir a igreja. Deus fez transformações grandiosas no meu coração no sentido de ser mais maleável, mas não adiantava. Tudo o que partisse de mim, não era bem visto.
Resolvi deixar não apenas a igreja local, mas também me desligar da denominação. Ao comunicar tal decisão para o Departamento Ministerial, fui aconselhado a pedir apenas uma licença. Mas, a decisão estava tomada e realmente rompi com aquela máquina religiosa que estava me fazendo muito mal. O ambiente hostil a mim era sentido no ar.
Deixei toda aquela estrutura. Só que da noite para o dia fiquei sem salário, sem dinheiro para moradia, água, telefone, plano de saúde e outros benefícios. Fiquei sem nada e sem ninguém por parte da igreja mesmo continuando a morar nas proximidades do templo. Algumas poucas pessoas (cerca de dez) nos acompanharam por não aceitarem o que aconteceu e como aconteceu. Aqueles vinte e um anos foram ignorados pela igreja. Não recebi nenhuma manifestação de gratidão. Deus sabe.
Sofri muito nesses meses com tamanha indiferença e rejeição. Mas, consegui perdoar, com a graça de Deus. Tudo está perdoado em nome de Jesus. Mas, não fiquei só. Deus não abandona os seus. Minha família é uma bênção especial em minha vida. Sou muito agradecido ao Senhor por minha esposa, filhas e genro. Os irmãos que nos acompanharam foram e continuam sendo um consolo para nós, além de novas pessoas em minha convivência.
Eu teria continuado na igreja se tivesse encontrado na manhã daquela reunião com a liderança, homens e mulheres capazes de avaliar, propor e mudar posturas. Mas, infelizmente o que encontrei ali me fez concluir que a religião mata.
Hoje sou um homem livre e sem saudade daquele passado gélido. Estou livre da religião ao ponto de não me sentir mais evangélico. Refiro-me ao que se conhece por evangélico no Brasil. Deus tem me suprido de um modo que não tenho como duvidar que é sua provisão. Ele levantou pessoas com as quais me relaciono como gente normal. A Comunidade do Caminho tem alegrado muito o meu coração. Tenho dito que minha vida tem três fases: antes de conhecer Jesus como Senhor e Salvador, minha vida cristã no meio evangélico, e a fase atual como cidadão do mundo caminhando com Jesus e com todos que encontro pelo caminho da vida.
terça-feira, 29 de março de 2011
Sem melindres
Postado por
Antonio Francisco
Ser melindroso (facilidade de se ofender) é uma clara manifestação de imaturidade e carência emocional. A melindrice pode ser resultado de uma criação deformada numa família disfuncional. Escrevo sobre isso porque me parece ser cada vez mais comum encontrar pessoas melindrosas, e hipersensíveis, como se estivessem com os nervos expostos. Quando isso acontece entre os "crentes", a situação se agrava. Mas, é isso o que acontece.
Enquanto meditava sobre isso, me veio à mente o texto bíblico de Gálatas 4.1-11, onde o apóstolo Paulo chama a atenção das igrejas da Galácia para o viver adulto na fé em Jesus. Ele diz que antes de conhecermos a nova vida em Cristo, éramos como crianças filhas de um pai rico, herdeiras de tudo, mas sem usufruir de nada, por sermos menores. Mas, quando conhecemos a Cristo, nos tornamos filhos adultos com direito a tudo o que pertence ao Pai. Em outras palavras, na família da fé não há lugar para meninice.
A Bíblia chama o começo da vida cristã de novo nascimento (Jo 3.1-7) e nos compara com crianças no início da vida, assim como o é na vida biológica. Somos estimulados a desejar ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, nos seja dado crescimento para salvação (1Pe 2.2). Devemos crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2Pe 3.18); devemos desenvolver a nossa salvação (Fp 2.12), buscando a maturidade e o aperfeiçoamento espiritual (Ef 4.11-16). Esse é o processo do crescimento, ir da infância para a maturidade na vida adulta.
Mas, o que estou enfatizando aqui, é a nossa condição de filhos de Deus com direitos de filhos adultos, herdeiros de todas as coisas do Pai. Mesmo levando em conta o processo do crescimento citado no parágrafo anterior, entramos na vida cristã como filhos adultos e não como bebês desprovidos dos direitos práticos do que o Pai nos dá.
Porém, é aqui que encontramos um dilema. É muito bom saber que entramos na vida cristã com direitos de filhos adultos, mas ninguém pode suprimir o processo do crescimento rumo à maturidade. É aqui que a igreja tem falhado desde o princípio. O apóstolo Paulo disse aos cristãos de Corinto: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo” (1Co 3.1). O autor da carta aos Hebreus escreveu: “A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido” (Hb 5.11-12). A igreja tem sido lenta no processo da maturidade ao longo dos séculos. Essa lentidão expõe um problema comum na igreja evangélica: o melindre, a facilidade de ficar magoado. A maioria dos problemas dentro das igrejas acontece na área dos relacionamentos. É assim devido a imaturidade emocional entre as pessoas.
Paulo disse: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino” (1Co 13.11). Os meninos falam muito, mas não têm profundidade no que dizem. Os meninos são muito sensíveis; tanto se alegram como se entristecem fácil. Eles também pensam muitas coisas que não procedem. Assim são muitos que confessam serem de Jesus. Falam o que não convêm, são sentimentalistas, e têm um pensamento raso acerca dos valores espirituais.
Paulo disse: “... quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino”. Precisamos amadurecer emocionalmente. Chega de melindres. Eu também já sofri muito desse mal infantilista. Deus tem me dado a graça de conviver com as contrariedades sem perder as estribeiras no galope da vida. Devemos amar a todos sem depender emocionalmente de ninguém e sem sufocar os outros com nossos interesses.
A grande lição que Deus me deu ao deixar a instituição evangélica para caminhar com a comunidade itinerante dos que andam com Jesus na liberdade da fé sem religião, foi que “cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14.12). Cada um é livre para viver como quiser. A igreja não deve pautar a vida de ninguém como tem feito com multidões ao longo dos séculos. Cada um vive conforme sua consciência no evangelho. Quando os discípulos quiseram arrancar o joio, Jesus lhes disse que esperassem pela colheita final (Mt 13). Esse é um tempo de inclusão, não de exclusão.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Queridos filhos...
Postado por
Antonio Francisco
...Quézia, Renira, Abigail, Geovane, Ana
Creio que Deus está chamando nossa atenção para esse assunto de "amar as pessoas". Semana passada assisti parte de um documentário sobre uma moça que enfrentou problemas de saúde, me parece, ligado com anorexia. Ela ficou viciada em remédios, caiu em depressão, tinha um comportamento estranho, e passou a viver isolada.
Sua irmã não a convidou para o seu casamento porque tinha vergonha dela. Quando a situação ficou extrema, a família procurou um especialista e combinaram um encontro surpresa para a moça doente. Ao entrar na sala ela reclamou que estavam armando para ela. O pai veio, lhe abraçou e disse que estavam ali apenas para dizer o quanto a amavam. Cada um fez uma declaração de amor por ela. A mãe foi até onde ela estava, lhe abraçou, beijou e disse: "Filha, eu te amo". Ao que a moça respondeu: "POR QUE VOCÊ DEMOROU TANTO TEMPO PARA DIZER ISSO?". Quando ouvi isso, imediatamente as lágrimas rolaram em meu rosto. Eu estava sozinho em casa e desejei muito naquele momento dizer para cada um de vocês: Eu te amo.
No dia seguinte eu disse isso para Renira. Ela estava saindo pela manhã para o trabalho e eu lhe disse: Eu te amo. Ela vibrou como se tivesse ganhado um prêmio. No outro dia, quando Abigail estava saindo de casa, eu também disse para ela: Eu te amo. Ela também vibrou. Fiquei surpreso com a reação delas. Mas, percebi que se já havia falado isso antes, fazia tanto tempo que soou para elas como algo inédito.
Depois disso, Deus me conduziu para o texto de 2 Coríntios 6.11-13, quando Paulo escreveu: "Para vós outros, ó coríntios, abrem-se os nossos lábios, e alarga-se o nosso coração. Não tendes limites em nós; mas estais limitados em vossos próprios afetos. Ora, como justa retribuição (falo-vos como a filhos), dilatai-vos também vós".
Notemos que a iniciativa de amar partiu de Paulo. É o que devemos fazer, não esperar ser amados, mas amarmos primeiro. É assim que Deus faz e é assim que devemos fazer (1Jo 4.19). Ele disse que abriu os seus lábios em amor, ou seja, ele falou que amava aquelas pessoas. Vamos praticar isso. Vamos trocar as reclamações por afirmações de amor. Ele disse que alargou o coração. Vamos intensificar o nosso amor, isto é, demostrar o amor como não temos feito até aqui. Paulo disse para os coríntios que eles não tinha limites nele e em seus auxiliares; foram eles mesmos que se limitaram na afetividade. E aí termina dizendo: "Dilatai-vos também vós". Isso é revolucionário! Que não limitemos o nosso amor, que nos dilatemos escancaradamente em afeto. Digamos todos os dias: Eu te amo, para quem amamos.
Amo cada um de vocês.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Por que você não quer ir à Igreja?
Postado por
Antonio Francisco
POR QUE VOCÊ NÃO QUER MAIS IR À IGREJA? Esse excelente livro publicado pela Editora Sextante, da autoria de Wayne Jacobsen e Dave Coleman, conquanto seja uma ficção, retrata uma realidade como poucos conseguem expressar. É um livro para pastores e crentes corajosos. A visão de igreja passada no livro é de fazer muita gente boa tremer. Veja a seguir uma seleção de citações do livro:
“Noventa e dois por cento das crianças que frequentam regularmente as escolas dominicais dotadas de todo tipo de entretenimento sofisticado abandonam a “igreja” quando deixam a casa dos pais”.
“A liberdade de ser honesto e a liberdade de discordar são a chave da verdadeira amizade”.
“A verdadeira comunidade não é algo que fabricamos como nossos próprios meios. É uma dádiva de Deus”.
“Jesus entendia a Igreja como uma realidade, não como uma tarefa a ser executada por Seus seguidores”.
“Não busque mudança de formas, mas invista nos relacionamentos”.
“A verdade tem sua hora. Se você contar a verdade a alguém antes de a pessoa estar preparada para ouvi-la, pode afastá-la para ainda mais longe, por mais bem-intencionado que você esteja”.
“Vocês já notaram que quem partilha a busca da vida em Deus não tem o menor entusiasmo em reformar a máquina?”.
“Deus dá menos valor à instituição e coloca todo o valor nas pessoas”.
“Quando você aprende a seguir Jesus e ajuda outras pessoas a fazê-lo, percebe que a vida comunitária brota rapidamente ao seu redor”.
“Quem gosta de conviver com alguém que está sempre nos fazendo sentir culpados ou nos pressionando para atendermos às suas expectativas?”.
“Não sou mais movido pela culpa opressora de ter fracassado, nem pelas exigências desgastantes de uma moralidade escravizante. E não despejo mais essas crenças em cima dos outros”.
“Aprenda a viver essa vida e não faltará gente com quem partilhá-la. Mas, se escolher ensinar, estará substituindo a vida”.
“Sem assumir um compromisso, parece que não somos capazes de descobrir um meio de nos reunirmos”.
“Quanto mais organização se introduzir na vida da Igreja, menos vida ela conterá”.
“Para manter o sistema funcionando, é preciso submeter as pessoas, impondo-lhes compromissos ou apelando para as necessidades dos seus egos, convencendo-as do que é o melhor, o maior, o lugar definitivo para se pertencer. É por essa razão que muitos grupos criam falsas expectativas que frustram as pessoas e se concentram nas necessidades, ou mesmo nos talentos de seus membros, e não no Cristo sempre presente”.
“Ele nos deixou seu Espírito. Deixou um guia, não um mapa”.
“A razão pela qual eu sigo as regras é porque não sei como seguir Jesus da forma como você diz”.
“Cada um procura extrair de seus irmãos e irmãs o que não encontra no próprio Pai. E essa receita é desastrosa. Nada do que nós, como fiéis, possamos fazer juntos substituirá nossa própria relação com Deus. Quando concebemos a Igreja dessa forma, nós a transformamos em um ídolo, e as pessoas sempre acabarão nos desapontando”.
“A verdade é que as Escrituras nos contam muito pouco sobre como se reuniam os primeiros cristãos. Por outro lado, elas nos falam bastante sobre como eles partilhavam suas vidas. Não viam a Igreja como uma instituição, mas sim como uma família vivendo sob o Pai”.
“Sintam-se como uma família e deixem que as crianças façam parte dela, assim como acontece nas festas familiares. Incluam-nas sempre que possam, mesmo quando estiverem envolvidos em coisas que elas considerem menos interessantes”.
“Vocês só poderão formar uma comunidade quando as pessoas aumentarem a confiança em Deus e deixarem de viver no medo”.
“A grande mentira deste universo perdido é que não podemos confiar em Deus e que devemos cuidar de nós mesmos”.
“As pessoas que tratam os líderes como se eles possuíssem uma unção especial são as que correm mais risco de serem enganadas por eles”.
“Por que para vocês, evangélicos, a falta mais grave é a de ordem sexual?”.
“Não alimente sua necessidade de estar mais certo do que os outros e então saberá com mais clareza o que Ele está realizando em você”.
“A necessidade de convencer os outros de que está certo é uma necessidade sua, não de Deus”.
“Enquanto você precisar que os outros o entendam e aprovem o que está fazendo, será propriedade de qualquer um que deseje mentir sobre você”.
“A institucionalização gera amizades baseadas em tarefas”.
“Os sistemas religiosos se sustentam na insegurança das pessoas”.
“O desprezo dos demais não é capaz de atingi-lo se você não estiver fazendo o jogo deles”.
“Se você caminhar ao lado Dele, em vez de afastá-lo com queixas e acusações, ficará surpreso com o que Ele fará”.
“Você não irá longe se questionar o amor Dele por você todas as vezes que suas expectativas não forem atendidas”.
“Caminhar com Deus sempre significa ir contra a maré”.
“Apenas tente se lembrar de que você está no meio de uma história, e não no final”.
“Até descobrir como confiar em Deus para tudo na vida você tentará controlar constantemente os outros para obter coisas que pensa que necessita”.
"Está vendo como é penoso? É por isso que as instituições só têm condições de refletir o amor de Deus enquanto seus membros concordam em tudo. Qualquer diferença de opinião se transforma em competição pelo poder".
"Nossas definições de amor acabam distorcidas quando os interesses da instituição se tornam prioritários".
"A igreja acaba sendo um grupo de pessoas que precisam proteger o próprio território".
"Toda amizade que requer que você minta para preservá-la provavelmente não deveria sequer ter começado".
"Se quer viver essa jornada, tem que colocar a honestidade acima de qualquer objetivo pessoal. É fácil tentar acobertar certas coisas pelo bem da instituição, mas esse é um passo numa trilha onde Deus não reside".
"A questão não é quanto você O ama, mas quanto Ele ama você. Tudo começa Nele. Aprenda isso e sua relação com Deus começará a crescer".
"As coisas podem piorar antes de ficarem melhores, mas é isso o que acontece nas cirurgias".
"Sei que é difícil acreditar, mas desfrutar essa simples relação permitirá que Deus faça tudo o que deseja fazer por intermédio de você".
"Você se preocupa tanto em obter a aprovação de todos que nem se dá conta de que já tem a Dele (Deus)".
"Sabia que mais de 90% das crianças que se criam na escola dominical abandonam a congregação quando saem da casa dos pais?".
"Ensinar as crianças sobre Deus e o significado de ser um bom cristão não era o mesmo que ensiná-las a caminhar com Ele".
"Nenhuma prisão é tão forte quanto a obrigação religiosa".
"Não podemos amar o que tememos".
"Recorremos à culpa para moldar o comportamento das pessoas, sem perceber que é essa mesma culpa que as manterá longe de Deus".
"Já faz algum tempo que estamos nos sentindo pouco à vontade com o caráter impessoal que a igreja vem assumindo".
"A proposta de Jesus não é, com certeza, aquilo que tanta gente imagina, como dar duro no trabalho, reunir uma multidão de fiéis ou construir novos templos. Tem a ver com a vida que se pode enxergar, provar e tocar, algo que se pode desfrutar todos os dias".
"É possível alguém concentrar-se de tal maneira no trabalho para Jesus que acaba perdendo de vista quem ele realmente é".
"Vocês não percebem que o que há de mais precioso no Evangelho é que ele nos liberta da idéia de que Deus reside em um local determinado? Para os seguidores de Jesus essa notícia foi excelente. Não precisariam pensar num Deus que estaria encerrado no recesso do templo e apenas disponível para pessoas especiais em ocasiões especiais".
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Meu desligamento da ICEB
Postado por
Antonio Francisco
Aceitei a mensagem do evangelho numa noite de domingo. No dia seguinte comecei a ler o Novo Testamento. As seguintes palavras de Jesus selaram minha fé: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10.37). Assim começou minha vida cristã.
Hoje, trinta e dois anos depois daquele começo para uma nova vida em Cristo, peço meu desligamento da única denominação da qual fui membro desde o início. Eis o teor de meu pedido de desligamento enviado ao diretor nacional do Departamento Ministerial da ICEB:
Prezado Pr. Jessé Bispo,
Conforme já lhe informei em nosso contato anterior, sobre minha disposição de deixar o quadro ministerial da ICEB, agora o faço de forma clara e objetiva.
Conheci o evangelho na ICEB há 32 anos. Tenho uma imagem saudável de nossa denominação, de nossos líderes, e de nossas organizações. Não teria aqui nenhuma razão doutrinária, moral ou reprovação de qualquer natureza para justificar meu pedido de desligamento do quadro ministerial.
Então, por que tal atitude? Minha resposta é que tal decisão é uma questão de fórum íntimo. Algumas concepções minhas de praticidade ministerial diferem de nosso modo denominacional de proceder. São coisas simples e tão práticas, que não merecem ser aqui sistematizadas. Não quero continuar na ICEB com práticas diferentes que me levem a merecer ser chamado para me explicar. Daí minha conclusão de que sair seja a melhor atitude.
Sou grato por todos esses anos na Igreja Cristã Evangélica do Brasil - ICEB. Mas, sinto-me direcionado para um estilo diferente de pastorear. E assim estou fazendo.
Portanto, deixo claro aqui minha decisão de sair da ICEB.
_______________________________________________
Eis a RESPOSTA:
Querido pastor Antônio Francisco,
Acolho seu pedido e vou encaminhar para sua aprovação na próxima reunião da MEAN.
Abraços
Jessé.
domingo, 31 de outubro de 2010
Águas partidas
Postado por
Antonio Francisco
Quem não aprendeu a romper e aceitar os abandonos dos outros e desapegar-se do que for necessário, ainda precisa nascer para a vida como ela é. O que é o nascimento de uma criança, senão sair da barriga da mãe e cortar o cordão umbilical para começar a viver por si mesma, mesmo que ainda dependa da mãe! Não devemos nos agarrar demais a nada.
A vida é feita de etapas. Jamais poderemos experimentar coisas novas, se antes não rompermos com outras. Fernando Pessoa falando de desapego disse isso com verdade: “Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira”. É necessário maturidade para desapegar-se. A Bíblia diz: “Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois não é sábio perguntar assim” (Ec 7.10).
Enquanto aqui escrevo, tenho a sensação de que Deus nos criou para sermos itinerantes nesta vida. Todo lugar deve ser meu, ao mesmo tempo em que sou estranho em toda parte. Assim foi dito dos heróis da fé: “(homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra” (Hb 11.38). Nossas raízes não estão embaixo da terra como as raízes das árvores, elas estão nos céus, onde está a nossa cidade e pátria permanente (Fp 3.20; Hb 13.14). Adão e Eva foram criados por Deus e colocados no jardim do Éden, mas de lá foram expulsos (Gn 3). Noé mudou seu estilo de vida construindo uma arca para a salvação de sua família (Gn 6-9). Depois disso, quando os homens intentaram construir uma cidade e uma torre cujo tope chegasse aos céus, com o propósito de se manterem todos no mesmo lugar e não serem espalhados pela terra, Deus confundiu suas línguas e os dispersou por toda a terra (Gn 11). Abrão saiu de sua terra e do meio de sua parentela (Gn 12); seus descendentes viveram peregrinando, desceram para o Egito e lá ficaram por quatrocentos anos. Mas Deus os libertou da escravidão de faraó e os conduziu sob a liderança de Moisés em direção à Canaã – a Terra Prometida. Andaram pelo deserto por quarenta anos até chegarem às margens do rio Jordão que os dividia de Canaã.
Moisés morreu e Deus passou o comando do povo para Josué, que fora auxiliar de Moisés. Ele chamou o povo para a santificação e os líderes do povo foram adiante. Só que havia um grande obstáculo para que o povo entrasse na terra da promessa. O rio Jordão estava transbordando e era humanamente impossível que aquela multidão com crianças, mulheres, idosos e pertences vários atravessasse para o outro lado. Mas o povo itinerante de Deus acostumado com travessias, que já havia atravessado o mar vermelho, certamente não via impossibilidade de atravessar um rio, mesmo que transbordando. Conforme a ordem de Deus, os sacerdotes caminharam em direção às margens do rio, e, quando seus pés tocaram nas águas, elas foram cortadas, e as águas que vinham de cima se amontoaram e pararam de descer no curso do rio. O povo atravessou o rio a pé enxuto (Js 3).
Ao longo de meus quase quarenta e nove anos, já passei por vários cortes e rompimentos. Estou vivendo a transição de mais uma travessia em minha vida e ministério pastoral. Estou atravessando um novo rio e entrando numa terra que antes não conhecia, mesmo que ela faça parte do projeto que Deus tinha para mim desde sempre. Acabei de deixar o pastorado de uma igreja que liderei por vinte e um anos. E mais do que isso, estou saindo da denominação na qual conheci o evangelho há trinta e dois anos. Exatamente hoje, tivemos a assembléia extraordinária da igreja para oficializar a partida das águas.
Já estou do outro lado. Deus tem me conduzido juntamente com alguns irmãos a começarmos a Comunidade do Caminho. Nosso manual é o Evangelho de Jesus. O próprio Jesus é a chave hermenêutica da Bíblia. Estamos deixando a religiosidade evangélica para caminhar na liberdade dos filhos de Deus. Estou me identificando com as palavras de Mário Quintana: “Todos estes que aí estão atravancando o meu caminho, eles passarão. Eu passarinho!”.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Misericórdia e não holocaustos
Postado por
Antonio Francisco
Alguém pode ser zeloso por Deus sem saber o que está fazendo? Sim. O apóstolo Paulo era assim antes de sua conversão a Jesus a caminho de Damasco. Ele perseguia os cristãos fervorosamente achando com isso estar fazendo um serviço a Deus.
Depois ele escreveu de seus irmãos judeus: “Eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento” (Rm 10.2). Quem crer também precisa pensar.
Depois ele escreveu de seus irmãos judeus: “Eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento” (Rm 10.2). Quem crer também precisa pensar.
Os maiores opositores de Jesus não saírem das multidões, do meio do povo comum, mas eram os religiosos, os que lideravam a vida espiritual do povo, os que interpretavam a lei de Moisés e ditavam normas de conduta ao povo. Esses criticavam, discordavam e perseguiam Jesus o tempo todo. Eles não conseguiam ver a vida com os mesmos olhos com os quais Jesus olhava para Deus-Pai, para as Escrituras Sagradas, para as pessoas, e para as circunstâncias do dia a dia.
Numa dessas cenas comuns, Jesus se encontrava em casa, quando muitos publicanos e pecadores, ou seja, pessoas de má índole, de comportamento desprezível, e de moral reprovável, vieram e tomaram assento à mesa com Jesus e seus discípulos. Diga-se de passagem, que, tomar uma refeição com alguém no contexto oriental dos dias de Jesus, era uma demonstração de familiaridade e aceitação mútua entre as pessoas (Mt 9.10).
Quando os religiosos viram isso, começaram a questionar aos discípulos: “Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” (Mt 9.11). Para eles era inconcebível que pessoas de má fama tivessem tanta intimidade com pessoas que viviam para agradar a Deus. É exatamente isso que a igreja evangélica ainda não entendeu bem. O critério usado para dizer que as pessoas de Deus são as que estão dentro dos templos evangélicos, e as pessoas que vivem longe de Deus são as que não freqüentam uma igreja, é de uma ingenuidade tamanha que não dá para aceitar. A diferença entre os que são e os que não são é tão difícil de ser feita, que Jesus disse que é melhor deixar que os anjos de Deus cuidem disso no final dos tempos e que não sejamos precipitados em decidir nesse particular (Mt 13.24-30, 36-43).
Ao ouvir a censura dos fariseus, Jesus disse: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento]” (Mt 9.12-13). Essas palavras de Jesus não condizem com a praticidade evangélica de nossos dias, salvo, raras exceções. Pouca gente na igreja está interessada em cuidar de doentes. Pessoas “justas” é tudo o que a igreja quer e não pecadores. Misericórdia! Ah! Misericórdia! Essa só na teoria. O que o “povão de Deus” gosta mesmo é de holocaustos, ou seja, de sacrifícios. O povo gosta mesmo é de campanhas, subir ao monte, vigílias, jejuns, regrinhas de pode e não pode para tudo, barganhas com Deus através de dízimos e ofertas (como se Deus barganhasse com alguém). O amor ralo só existe entre os que se cajunegam mutuamente. Os que pisam na bola são tirados de campo rapidamente. Os feridos vão ficando para trás. Cansei desse ambiente de sorrisos amarelos, tapinhas nas costas com uma mão e apunhalamento com a outra.
Essa frase de Jesus: “Misericórdia quero e não holocaustos”, me saltaram aos olhos como minhas, pois é exatamente isso que quero daqui para a frente. Estou fugindo de sistemas castrantes, programas estéreis, estudos e mais estudos que não penetram na cabecinha da maioria e que deixam alguns poucos com uma cabeça monstruosa, mas que os demais membros do corpo continuam nanicos. A Bíblia diz: “O saber ensoberbece, mas o amor edifica” (1Co 8.1). Existe muito saber, muitas informações, muitas anotações, o que resulta em vaidade, prepotência e arrogância em muitos, mas, o amor mesmo que edifica, esse é cantado, pregado, falado, mas desconhecido na vivência eclesiástica. Quero misericórdia para os outros, e quero misericórdia para mim. Chega de sacrifícios de tolos.
Página principal - Voltar para Artigos.
Página principal - Voltar para Artigos.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Onde está a sua fé?
Postado por
Antonio Francisco
A Bíblia diz que a fé sem obras está morta (Tg 2.17). O que seria uma fé morta? De alguma forma ela existe. Mas, se existe, por que está morta? Está morta porque ela não tem vida.
O que é a fé? Será que o que importa mesmo é a fé e não onde colocamos a nossa fé? Existe mesmo a fé grande, a fé pequena, a fé poderosa? Como você sabe que tem fé? Onde está a sua fé? Pense nisso. É importante.
O que é a fé? Será que o que importa mesmo é a fé e não onde colocamos a nossa fé? Existe mesmo a fé grande, a fé pequena, a fé poderosa? Como você sabe que tem fé? Onde está a sua fé? Pense nisso. É importante.
O Evangelho narra que Jesus na companhia de seus discípulos atravessava o lago da Galiléia, uma travessia de 10 km. Exausto de seus afazeres ele dormiu durante o percurso. Enquanto os discípulos navegavam veio uma tempestade e eles correram o perigo de naufragar. Não podendo fazer nada para superarem aquela situação, mesmo sendo pescadores experientes e acostumados com o mar, acordaram Jesus para pedirem ajuda. Jesus mostrou sua autoridade sobre a natureza e acalmou a tempestade. Mas, em seguida, repreendeu os discípulos dizendo: “Onde está a vossa fé?” (Lc 8.22-25).
A fé não é tão comum quanto parece ser. O povo em geral é crédulo, as crendices se multiplicam, mas a fé no sentido bíblico, essa parece ser cada vez mais escassa, ao ponto de a Bíblia dizer: “Quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.8). Isso foi dito depois de Jesus falar da fé viva de uma viúva.
Presume-se que as pessoas que pertencem a uma igreja sejam pessoas de fé, enquanto que as pessoas que não freqüentam uma igreja são as incrédulas, os ateus assumidos. Grande engano. Foi fora do ambiente religioso onde Jesus encontrou a verdadeira fé. Foi na rua, nas estradas e nos lugares menos prováveis que ele admirou-se da fé das pessoas. Ou você acha que o Zaqueu, o Bartimeu, o bom samaritano, e a prostituta que regava os pés de Jesus com lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos, beijava-lhe os pés e os perfumava, você acha que esse pessoal freqüentava alguma espécie de igreja? De jeito nenhum. Será que não foi exatamente por isso que Jesus disse para a cúpula religiosa de Israel: “Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus” (Mt 21.31).
Com isso estou dizendo que se deve deixar de frequentar uma igreja e que os céticos, aqueles que ficam de longe é que são os de Deus? Claro que não é isso que estou dizendo. Mas deixo claro que as coisas em matéria de fé não são tão departamentalizadas ou definidas quanto queremos que seja. O pessoal que é assíduo frequentador de igreja que se cuide. Muita gente boa, no final, ao prestar contas de seu curriculum invejável de fé, vai ouvir do Senhor Jesus: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7.21-23).
A Bíblia diz: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.22). Ser “ouvinte da Palavra” não é o mesmo que ser “praticante da Palavra”. Eu conheço bem o ambiente de igreja, pois vivi lá por trinta e dois anos. O grande problema no universo eclesiástico é que fé é concordar com um sistema de crenças internalizado, mas, a verdadeira fé se expressa no comportamento. Se a minha fé não se expressar em todo o meu estilo de viver, não sei o que é fé. Aliás, o modo como eu vivo é que de fato mostra a fé que tenho. Alguém já disse que só creio na parte da Bíblia que pratico. Se a gente levasse isso a sério, teríamos muita dificuldade em responder: Onde está a sua fé? A fé que não serve, não serve pra nada. Se a minha fé não me ajudar a viver, ela não me ajudará a morrer. Se a minha fé não frutificar, ela não existe, mesmo que eu concorde com a declaração de fé da igreja.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A segunda metade da minha vida
Postado por
Antonio Francisco
Ontem à tarde, enquanto saía da recepção de um hotel juntamente com minha família, dei uma olhada no jogo entre o Atlético paranaense e o Fluminense. No final do segundo tempo o Fluminense empatou o jogo em 2x2 com gol de pênalti pelo campeonato brasileiro. Gostei de ver esse final positivo para o Fluminense. Afinal de contas, é o meu time no Rio de Janeiro.
Essa citação do jogo entre Atlético e Fluminense nos mostra o óbvio no futebol: o jogo é ganho ou perdido no segundo tempo, não no primeiro, o que nos diz que o segundo tempo é mais importante e emocionante que o primeiro.
Quando comparamos nossa vida com uma partida de futebol, podemos dizer que o primeiro tempo da vida vai até os 45 anos aproximadamente. No futebol há um intervalo de 15 minutos entre os dois tempos, o que serve para o descanso dos jogadores e avaliações técnicas e táticas. Nessa fase da vida (entre 35 e 45 anos), também podemos e devemos parar para uma avaliação. Então, o segundo tempo pode ter uma qualidade bem maior que o primeiro tempo (primeira parte da vida).
Nesses dias estou literalmente vivendo o intervalo do jogo da vida. Esse intervalo para mim está sendo de três meses. Creio piamente que Deus está me dando esse tempo apesar do intento negativo das pessoas. Lembro-me das palavras de José quando lhe venderam e o mandaram para o Egito. Eles não sabiam dos planos de Deus para José e para eles mesmos. Algum tempo depois José lhes disse: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn 50.20).
Estou próximo dos cinquenta anos, mas acredito que o melhor ainda está por vir. Minha cosmovisão tem mudado de tal maneira que não caibo mais onde tenho estado. A gaiola não me cabe mais. Estou começando o segundo tempo da vida experimentando o que é ser um seguidor alado de Jesus para poder andar nas alturas e ao mesmo tempo manter os pés no chão (Hc 3.19).
Deus está me guiando para começar algo novo firmado no Evangelho de Jesus. Mas, será que não estou muito velho para começar algo? Foi isso que um cunhado meu disse outro dia. Mas, a verdade é que me sinto muito motivado para recomeçar, e melhor, sem as amarras da religiosidade evangélica.
Moisés foi chamado para libertar o povo de Israel do Egito quando tinha oitenta anos, Calebe tinha oitenta e cinco quando tomou posse da terra prometida, e disse que se sentia como se tivesse quarenta anos. E por que eu estou velho? Velha é a lua, e todo mês ela fica nova. A Bíblia diz: “Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40.31).
Estou me aquecendo para entrar no segundo tempo do jogo da vida. Estou animado e crente na vitória final. É comum ver um time ganhar um jogo e às vezes um campeonato aos quarenta e seis minutos do segundo tempo. Acredito mesmo que assim será comigo. Deus está me dando um time de vencedores que não são super-homens nem mulheres maravilhas, são pessoas comuns com liberdade para jogarem no espaço que Deus lhes deu. Todos são titulares que vestem a camisa para ganharem e perderem junto com os companheiros. Estamos numa caminhada e queremos seguir juntos.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Hoje me torno um hebreu moderno
Postado por
Antonio Francisco
A primeira pessoa a ser chamada de “hebreu” foi Abraão (Gn 14.13). Hebreu é alguém que atravessa limites, que cruza fronteiras, que está no caminho, sempre. A Bíblia diz que, “... pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho” na caminhada da fé (Hb 11.2).
Fé é o que experimentamos com ou sem emoções. Ser um hebreu hoje é fazer o que fez Abraão quando Deus o chamou. Ele apenas “obedeceu” (Hb 11.8).
Hoje me torno um hebreu moderno. Leio a Bíblia há trinta e dois anos, mas nos últimos anos tenho tido experiências nunca antes vividas. Sinto que estou me convertendo de novo ao Evangelho de Jesus. A Bíblia me fala hoje de uma maneira diferente. Cada dia cresce em mim a consciência de que a chamada “igreja evangélica” caducou, se institucionalizou, tornou-se, infelizmente, uma religião. Estou rompendo com o que sempre chamei de Igreja de Jesus. Hoje tenho outros olhos e convencido estou que essa coisa tem se tornado realmente um ópio. Tenho certeza que não seria aceito como membro de uma "igreja evangélica" hoje em dia. Não me encaixaria na gaiolinha deles.
Eu poderia encher páginas inteiras aqui para descrever meu repúdio a tudo que aí está sendo chamado de Cristianismo e igreja, mas me pouparei e pouparei a tantos que não suportariam minhas palavras. Aliás, crente é o bicho mais sensível que já vi, tem nervo exposto. Sei do que estou falando, falo do que tenho vivido. A oração da “igreja” hoje deveria ser: “Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos” (Lm 5.21). Chega!!!
A Bíblia diz que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6). Estou aprendendo a viver pela fé. Na verdade estou apostatando “da fé”, para viver apenas “pela fé”, pois é assim que vive o justo (Rm 1.17). Hoje fui demitido da empresa igreja sem aviso prévio. Mas, estou felicíssimo. Estou me libertando da religião evangélica. Virei um estranho para a igreja. Não caibo mais na estrutura eclesiástica de nenhuma igreja. A aplicação do evangelho, a vivência do Novo Testamento é o vinho novo que rompe os odres velhos das igrejas. Os panos velhos da religião dos crentes não suportam o remendo novo do Evangelho (Lc 5.36-39). Fui rejeitado antes de expor o Evangelho sem a parafernália da igreja. Ainda bem, pois as igrejas, incluindo a que estou deixando, depois de pastoreá-la por vinte e um anos não sobrevivem apenas de Bíblia. Sem os aparatos denominacionais, o tradicionalismo oco, as barganhas com Deus (todas rejeitadas por ele), a fé linear, e tantas outras coisas fúteis, a igreja evangélica sucumbe.
Louvo a Deus por minha família. Minha esposa está sofrendo por esse momento de frieza e abandono fraterno. Minhas filhas são maravilhosas, estão tristes e frustradas com essa coisa toda, elas não têm culpa de serem filhas de um pastor, mas continuamos juntos passando por esse vale de lágrimas. Agora entendo porque muitos filhos de pastor têm ojeriza de igreja.
Não posso terminar esse artigo de forma negativa, pois não estou falando contra Jesus, mas contra os “jesuses” anunciados por aí; não estou escrevendo contra o Consolador Espírito Santo, mas contra os espíritos que atuam dentro de muitos templos evangélicos; não estou falando contra o doce Evangelho de Jesus, mas contra o evangelho diferente tão propalado hoje em dia. Infelizmente o diabo tem corrompido a mente da “crentaiada” para que não vivam a simplicidade e pureza devidas a Cristo (2Co 11.3-4). Viver em Jesus é maravilhoso. É uma vida sem retorno (Jo 6.67-68). Infelizmente as igrejas estão cheias de pessoas vazias que não conhecem a Jesus. Para mim não dá mais.
Com licença, estou fora da caverna
Postado por
Antonio Francisco
Voltando para casa nessa tarde, me identifiquei com Elias. Ele foi um solitário, como comumente eram os profetas; eles não andavam em grupo.
Elias passou um tempo junto à corrente de Querite, foi buscar apoio de uma viúva, enfrentou o rei Acabe e os profetas de Baal, foi ameaçado de morte pela malvada rainha Jezabel, e por fim, foi parar numa caverna distante. Mas isso não foi o seu fim.
Elias passou um tempo junto à corrente de Querite, foi buscar apoio de uma viúva, enfrentou o rei Acabe e os profetas de Baal, foi ameaçado de morte pela malvada rainha Jezabel, e por fim, foi parar numa caverna distante. Mas isso não foi o seu fim.
Ano passado a igreja me deu três meses de licença para que eu me recuperasse de um estresse que me incomodava muito. Desta vez a igreja me deu mais três meses, mas acho que o estresse agora está do lado de lá. Estou fora da caverna, em paz, me sentindo muito bem, graças a Deus, apesar de como as coisas aconteceram.
Hoje ouvi uma palavra que foi como um bálsamo na minha alma. Deus tem ciúme de seus filhos. O seu povo é como a menina de seus olhos. Deus separou esse tempo para que eu possa ouvi-lo, ser fortalecido no espírito, descansar bastante, pois, preciso retomar às atividades pastorais renovado e com mais estrutura pelo que vem pela frente.
Claramente percebo que Deus está fazendo comigo o que fez com José, filho de Jacó. Tirando as devidas diferenças, ele está usando o descontentamento de meus irmãos na fé com meu ministério, para me proporcionar esse tempo que não pedi, não criei as circunstâncias para isso, mas estou ganhando. José jamais teria sido primeiro ministro do Egito e nunca teria livrado seu povo de uma grande fome, não fosse o ódio de seus irmãos que o venderam como escravo para viajantes estranhos.
Mais uma vez preciso operar o princípio de que não posso impedir que as pessoas façam o que fazem contra mim, mas posso me responsabilizar pelas minhas reações. Ninguém pode mudar minha reação ao que quer que aconteça. Isso é comigo. E aqui me lembro do que Deus disse para Caim quando o mesmo estava cheio de ódio contra seu irmão Abel. Deus lhe disse: “Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4.6-7).
Elias foi para longe esconder-se numa caverna. Ele andou quarenta dias e quarenta noites para chegar àquela caverna que ficava no monte Horebe. Passou a noite ali. Deus lhe perguntou: “Que fazes aqui, Elias?”. Ele respondeu com autocomiseração, falando de seu zelo por Deus, sua solidão e da ameaça de morte que sofrera. Deus mandou que ele saísse da caverna. Veio um forte vento e um terremoto, mas o Senhor não estava naquilo. Veio ainda um fogo, mas também Deus não estava no fogo. Por fim veio “um cicio tranquilo e suave”, e Deus falou para que Elias voltasse e continuasse seu ministério profético.
Essa é a grande lição de Deus para mim hoje. Tenho sido zeloso por Deus como posso; muitos que poderiam estar somando comigo se levantaram contra mim. De certa forma estou só, pois me tiraram do púlpito e das condições para continuar pastoreando. A diferença é que não entrei em nenhuma caverna e me disponho a ouvir a voz do meu Deus na brisa suave de sua santa presença.
Creio que minha história não está no final, mas na metade. Estou saindo sem saber para onde ir, mas sei com quem estou indo (Hb 11.8). Meu coração está se renovando cada dia e me sinto entrando numa “terra prometida” onde mana leite e mel.
sábado, 9 de outubro de 2010
CORBÃ - O jeitinho judeu de ser crente
Postado por
Antonio Francisco
Há dias uma passagem bíblica não me sai do pensamento. Pensando nesse texto, observei que durante meus trinta e dois anos de vida cristã, não lembro ter ouvido uma única vez uma mensagem sobre esse assunto. Eu mesmo nunca preguei sobre ele. O que está por trás disso, consciente ou inconscientemente?
O texto bíblico é Marcos 7.1-23. A passagem trata basicamente da censura de Jesus à tradição dos anciãos, ou seja, havia uma tradição histórica entre os judeus conhecida como tradição oral ou tradição dos anciãos, os líderes da religião judaica. Essa tradição corria paralela com os escritos sagrados da Bíblia. Era a interpretação das Escrituras Sagradas feita pelos líderes religiosos. A interpretação deles era passada ao povo como sendo o sentido do que Deus queria dizer na revelação escriturística. Só que quase sempre a interpretação dos anciãos visava tão somente os interesses da classe religiosa.
O texto que estamos considerando, mostra essa turma religiosa observando tudo o que acontecia com Jesus e seus discípulos com o objetivo de criticar. Isso é próprio dos religiosos, estão sempre farejando defeitos ao redor. Eles não conseguem ver beleza, alegria, bondade; eles só percebem o que está errado aos seus olhos. E quase sempre tudo anda errado para eles. Isso é bem diferente daqueles que caminham com Jesus. A Bíblia diz: “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas” (Tt 1.15).
Pois bem, eles criticaram os discípulos por comerem sem lavar as mãos, porque eles tinham um ritual rígido de higiene antes de comerem. Jesus lhes disse que aquele zelo em nome de Deus era vão, não havia adoração a Deus nem coração no que faziam. Eram apenas doutrinas e preceitos de homens. Eles faziam isso “jeitosamente” para rejeitar a palavra de Deus e manterem suas tradições. Jesus deixou claro para eles que apenas ritos externos não têm nenhum benefício espiritual, o que importa mesmo é o que sai do nosso coração e não o que entre pela boca.
Mas, a questão chave para mim nessa passagem, está entre os versos 10 e 13. Aqui Jesus toma um exemplo entre tantos outros que poderiam ser dados para mostrar o contraste entre a palavra de Deus e a tradição religiosa. A Bíblia diz: “Honra a teu pai e a tua mãe; e: quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte”. As Escrituras levam tão a sério essa questão de honrar pai e mãe, que no sistema judaico do Antigo Testamento, a morte era a punição para filhos rebeldes. Posso lembrar aqui de algumas passagens nesse sentido:
“Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos, seu pai e sua mãe o pegarão, e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz, é dissoluto e beberrão. Então, todos os homens da sua cidade o apedrejarão até que morra; assim, eliminarás o mal do meio de ti; todo o Israel ouvirá e temerá” (Dt 21.18-21).
“Maldito aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe. E todo o povo dirá: Amém!” (Dt 27.16).
“Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer” (Pv 23.22).
“Os olhos de quem zomba do pai ou de quem despreza a obediência à sua mãe, corvos no ribeiro os arrancarão e pelos pintãos da águia serão comidos” (Pv 30.17).
Agora, vamos à questão. Com a conivência dos líderes da religião, os judeus estavam deixando de ajudar seus pais para entregarem suas ofertas no templo nas mãos dos sacerdotes. Eles faziam um voto de entregarem a Deus seus bens materiais, daí não terem como ajudar aos pais. Os religiosos diziam que o juramento do Corbã era irrevogável. Eles pegavam a letra da lei de que uma coisa consagrada a Deus era santíssima, ou seja, separada para Deus, para evitar ajudar aos seus pais. Jesus reprovou tal atitude, pois não havia necessidade de tal comportamento em detrimento dos pais.
Será que isso acontece hoje nas igrejas? É claro que sim. Mas isso não tem nenhum respaldo bíblico. Nenhum filho deve deixar de ajudar financeiramente seus pais porque tem que entregar seu dinheiro na igreja. Isso não deve acontecer. Já passou da hora de desmistificarmos o modo de contribuir financeiramente com a igreja. O Novo Testamento não regulamenta a quantia da contribuição. Ele não ensina que o dízimo é uma obrigação do crente na igreja. É uma pena que a cegueira espiritual e os interesses pessoais façam com que a igreja venha ao longo da história ensinando isso. Eu já não suporto mais ficar ouvindo falar que o dízimo é uma obrigação e que não entregar o dízimo torna o cristão maldito; que a causa das bênçãos na vida do crente é a fidelidade nos dízimos e que os problemas materiais é devido a falta de fidelidade nos dízimos.
A essa altura já deve ter crentes e pastores querendo esfregar Malaquias 3.8-10 na minha cara. É uma pena que só enxerguem esse texto em Malaquias. A causa de nossas bênçãos é o sacrifício de Jesus na cruz e sua ressurreição e não nossa fidelidade a Deus em dízimos e ofertas. Se é para praticar o dízimo como ensina o Antigo Testamento, tem que fazer como é ensinado lá, mas ninguém faz isso. É só ler o Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia). A verdade é que tudo é de Deus e nada é nosso. Por outro lado, tudo é nosso porque somos de Deus.
Mesmo sem usar o nome Corbã, os crentes estão praticando isso indevidamente. É claro que devemos contribuir com a obra de Deus na expansão do evangelho, que aqueles que pregam o evangelho devem viver do evangelho, os que recebem o alimento espiritual devem tratar com honra e apoiar devidamente seus pastores, e assim por diante. Mas isso deve ser feito com alegria, liberdade e sem definição de porcentagem.
O Novo Testamento não ensina o dízimo. O critério que a graça de Deus nos ensina é contribuir liberalmente. Zaqueu deu cinquenta por cento, a viúva pobre deu tudo, Maria ungiu Jesus com um perfume caríssimo, os crentes da Macedônia contribuíram com alegria mesmo sendo profundamente pobres. Deram-se ao Senhor e contribuíram acima de suas posses. É simples assim.
Usar o tradicional sistema do dízimo como um ponto de partida é um simples começo. Mas ficar restrito a isso fazendo continhas de centavos para entregar dez por cento da renda, é de uma pequenez e legalismo tão inadequados para o espírito do Novo Testamento que devemos repensar isso. Cuidado com o Corbã. Não deixe de ajudar seus pais por causa da igreja. Esse é seu dever (1Tm 5.8).
Assinar:
Postagens (Atom)










